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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Pênaltis?

O tempo passou em alguns amigos corneteiros pediram que me pronunciasse sobre os pênaltes acontecidos no último final de semana.
Sei que as opiniões ainda estão bastante divididas e alguns mais exaltados até dizem que o provável título corintiano vai ter um asterisco, assim como o de 2005 (o pênati não marcado de Fábio Costa em Tinga ainda mexe com muitos torcedores).
No primeiro momento, sem o replay por trás, declarei que não havia sido falta. Julguei que Ronaldo teria simulado e se jogado dentro da área, assim como fizera no jogo contra o Atlético-PR pela Copa do Brasil em 2009. Mas vendo o lance pela câmera atrás da meta de Fábio, acabei por mudar de opinião. Ronaldo foi deslocado pelo zagueiro Gil. Pênalti bem marcado pelo árbitro Sandro Meira Ricci.
Outro lance bastante reclamado pelos cruzeirenses foi o suposto pênalti cometido pelo goleiro Julio César em cima do atacante Thiago Ribeiro. O arqueiro alvi-negro evita o choque com o avante azul. A mão de JC está apoiada no chão. TR procura o choque levando sua perna ao encontro do goleiro. Não foi nada.
No jogo do Fluminense contra o Goiás mais um lance em que julguei não ter acontecido nada. Mas revendo o lance, julguei que Rodriguinho realmente foi deslocado pelo defensor Ernando. Pênalti bem assinalado pelo quase ex-apitador Carlos Simon.
Os erros acontecem no futebol. Não podemos banalizar e julgar que os juízes são "ladrões" como disse o presidente do Cruzeiro Zezé Perrela. Se assim for, por que jogar um campeonato inteiro se no final vão tirar o título desse e dar àquele?

*Foto: Estadão

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Carta aberta ao Sr. Adílson Batista

Caro senhor Adílson Batista

No infeliz dia em que o técnico do Fluminense Muricy Ramalho disse não à CBF, nuvens negras estacionaram sobre o Parque São Jorge. Mano Menezes era a bola da vez. Convite feito e aceito. 
Mano despediu-se do elenco e rumou junto ao Rio de Janeiro. O time do povo depois de  dois anos e meio estava novamente no mercado atrás de um treinador. 
Recém saído do Cruzeiro, o senhor era a bola na boca da caçapa. Técnico jovem, aguerrido, campeão mundial em 2000 pelo timão. Tudo se encaixava. 
Logo após sua chegada o estilo "retranqueiro" de Mano Menezes foi deixado um pouco de lado. Seu time buscava mais o gol, mas também dá mais espaço na defesa. Mas era o risco. Quem quer vencer tem que estar disposto a correr riscos.
O tempo passou e o Corinthians ponteava o campeonato, sempre com o Fluminense um ponto a frente ou atrás. Mas como o senhor sempre dizia em suas coletivas "temos que estar no bolo".
Na metade do mês de agosto o senhor pediu a contratação do zagueiro Thiago Heleno, mesmo tendo em seu elenco Willian e Chicão, a dupla titular, além de Paulo André e Leandro Castán. Confesso que pouco conhecia do futebol do ex-defensor celeste, mas o pouco que vi não gostei. Inseguro, falha demais nas bolas aéreas, recuperação lenta. Em suma, não acrescentou em nada ao elenco, mas sempre vem tendo oportunidades
Outro jogador que no seu time tem espaço é o volante-lateral Moacir. Eu sei, esse jogador já estava no Parque São Jorge quando o senhor foi contratado. Obra da parceria do presidente com o senhor Carlos Leite. Não é culpa sua que ele faça parte do elenco. Mas sim, é sua culpa de escalá-lo. 
Se fosse para enumerar a quantidade de erros cometidos por ele, o espaço desta postagem ficaria demasiado grande. Só para ilustrar o que estou dizendo, rememoro dois lances. Contra o Internacional tínhamos consegue o empate heróico, mas o senhor Moacir conseguiu desviar uma bola que sairia na bandeira de escanteio. Gol do Inter, 3 a 2. 
No jogo da última quarta-feira, contra o moribundo Atlético-MG, o jogo estava tranquilo. O Corinthians vencia por 1 a 0, até que o senhor Moacir aprontou de novo. A bola era toda dele, limpa, pronto para ser tirada da zona do agrião, mas... mas era o Moacir. Ele cegou a bola na primeira tentativa e depois teve que jogá-la para escanteio para "afastar o perigo". Resultado, gol do Galo.
Eu sei também que o senhor vai se esquivar. Vai dizer que o elenco tem muita gente machucada, que está tendo que improvisar, que está sem o Ralf, Jorge Henrique, Chicão, etc. Eu sei de tudo isso, mas escalar o Moacir não dá. É perigo de gol a cada lance. Mas é gol contra, não a favor.
Após todas essas palavras, espero que o senhor repense a escalação do Moacir em qualquer posição. Ele não tem o dom da bola. Quem sabe ele seja um excelente cara de grupo, boa praça, contador de piadas, enfim últil de algum modo. O que não pode é ser escalado em momento nenhum. Não dá.
Senhor Adílson Batista, o Fluminense está fazendo uma força danada para perder o campeonato, até mesmo mais que o Corinthians. É sua grande chance de escrever de vez seu nome da história corintiana. Foi campeão do mundo e agora pode ser o técnico do centenário. Mas não acredite que poderá ser campeão com Thiago Heleno e Moacir, o filho da dor, em campo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Série Corinthians 100 anos - Basílio

Basílio, o pé de anjo da fiel torcida

Corinthians minha vida, minha história, meu amor


O dia 1º de setembro nunca mais foi o mesmo depois que o Corinthians foi fundado. Sob a luz do lampião o povo se uniu em volta de uma nova paixão. Nascia ali o time do povo, o coringão.

O tempo foi passando e os primeiros títulos chegando. Os ídolos lutando, esbanjando raça e determinação sob a égide do manto alvi-negro.

O ano de 1954 dá ao Corinthians seu título de maior importância até então, o quarto centenário. Luizinho e cia sob o comando do mestre Oswaldo Brandão vencem o torneio mais cobiçado daquela década. Mas o que seria o apogeu marca o início de seu período de maior escassez.

A fila começava. Nem mesmo o título dividido do Rio-São Paulo de 1966 diminuiu a pressão. Junto à fila ainda existia o tabu frente ao Santos de Pelé. Mas Paulo Borges apareceu. Marcou o gol e pôs fim ao maior período que o Corinthians ficou sem vencer um rival direto. Enfim Pelé e cia. Perdiam um jogo para o Time do Povo. Caia o tabu contra o Santos, mas a seca de títulos se mantinha.

A chegada dos anos 70 começou com um alento. Rivellino, o Reizinho do Parque, era campeão do mundo no México. Tudo dava a entender que a época de “vacas magras” estava perto do fim.

Os times dos anos 70 iam melhorando. Super Zé Maria chegou da Portuguesa, Wladimir subiu para os profissionais. Geraldão também chegou.

O ano era 1974, quase tudo pronto para o fim do jejum. Na final do Paulistão contra o Palmeiras o time corintiano era melhor. Seria a consagração de Rivellino com a camisa do timão, mas não. Deu tudo errado. O Corinthians perdeu a taça e seu principal jogador. Rivellino saiu do timão para o Fluminense.

Em 1976 nova chance do fim da seca. O time era bom. Na semifinal contra o Fluminense de seu antigo ídolo. O dia era 5 de dezembro. O dia da invasão. Mais de 70 mil corintianos foram ao Rio de Janeiro para empurrar o timão à final do campeonato brasileiro. 1 a 1 no tempo normal. Nos pênaltis 4 a 1 pro time de Parque São Jorge. A grande final seria contra o Internacional. O time colorado era uma máquina. Não teve jeito. A fila continuaria por mais um ano.

De 1977 não poderia passar. No gol o gigante Tobias. Os melhores laterais do país vestiam o manto alvinegro. Zé Maria e Wladimir estavam voando. Na meiuca o esforçado Ruço, o incansável Givanildo, Palhinha. No ataque Waguinho. Mas o predestinado era outro. O pé de anjo Basílio. Da casa Verde para o Tatuapé. Do anonimato ao posto de ídolo de um povo. A Ponte Preta estava loca para engrossar. O time campineiro era superior. Mas a raça e o conselho certeiro de Oswaldo Brandão, o mesmo treinador de 1954: “Neguinho, vamos vencer por 1 a 0 e você vai fazer o gol do título”. Dito e feito. Basílio pegou o rebote do salseiro na área e estufou as redes do goleiro Carlos. O povo entrou em êxtase. 23 anos depois o time do povo voltava a conquistar uma taça.

Em 1979 um novo líder chega ao Parque São Jorge. Vindo da Califórnia brasileira, Dr. Sócrates chegou para marcar a história do clube e do país.

As mudanças efetuadas dentro da administração da Fazendinha começaram em 1981. Era o início da Democracia Corintiana. Capitaneados pelo doutor da bola, os companheiros Casagrande e Wladimir lutaram ao lado de Osmar Santos e Rita Lee para que o Brasil voltasse a ser democrático.

Os anos 90 começaram com mais conquistas. O excêntrico Ronaldo, Marcelo Djian na zaga, a força de Wilson Mano no meio-campo. Neto, o dono do time. Tupãzinho, o talismã da fiel. A final contra o São Paulo. O gol de Tupãzinho, bola dividida, na raça, na fé. O time do povo conquistara o Brasil pela primeira vez.

Em 95 a dobradinha. Com Marcelinho endiabrado e fazendo gols de tudo quanto era lugar. Paulistão e Copa do Brasil.

Depois de idas e vindas em 98 o Corinthians começa a montar um novo esquadrão. Chegam Gamarra, Edílson, Dida, Ricardinho, vampeta e Rincón. O Corinthians tinha um time do tamanho de sua torcida. Na final contra o Cruzeiro batalhas épicas foram travadas. No apito do juiz a faixa estampava o peito do proletário. Mesmo time, mesmo campeonato, mas o calendário tinha mudado. Com a mesma base do ano anterior o Corinthians conquista o Bicampeonato brasileiro. A única decepção foi a perda para o rival Palmeiras na Libertadores.

Mas a redenção estava por vir. O primeiro mundial de clubes da FIFA seria no Brasil. O Corinthians era presença garantida. Na final contra o Vasco o título veio nas penalidades. O mundo era corintiano.

Entre altos e baixos o time chega a 2010 cada vez mais fortalecido. A torcida é, antes de mais nada, o pão de cada dia que alimenta a equipe e dá forças para ir a campo defender as cores alvinegras.

Corinthians, o time de uma torcida. O time do povo, o coringão.